Galera, iniciando uma nova sessão neste blog, tenho o prazer de publicar um texto de nosso querido amigo Panda! Enjoy.
Gramática
Sabe, se tem uma coisa que eu odeio é o mal uso de algumas palavras. As pessoas não sabem mais falar nada propriamente! “Musica romântica universitária” agora é “Sertanejo”, “atração” vira “amor” e tudo é sempre certo. Sou a favor de uma boa reflexão conceitual. “Ahhhh Panda! Deixa de ser chato!”. Desculpe-me, caro leitor, mas acho que quando nos esquecemos de pequenos detalhes como esses, acabamos nos esquecendo de muito maiores, que movimentam vidas. As NOSSAS vidas.
Voltando ao “Certo”: “Com certeza eu faço isso”, “Estou certo disso”, “Isto é o certo”. Certeza para todos os lados! Todos querem se afogar num mar de certeza, achando que ao repetir este mantra estaremos garantindo aquele tipo de pró-atividade que necessitamos para mudar nossos mundos. Porque? Porque temos que estar certos? Porque você precisa ter certeza para poder agir?! Somos todos tão medrosos que só aceitamos sair da frente do sofá, somente na segurança de que nada do mundo exterior irá nos chutar na bunda e rir de nossas caras? Aceitem um fato: até aonde eu sei, de certo na vida, só há a morte. Porque queremos isso? Porque procurar esse tipo de conforto? Porque somos medrosos. Temos medo do mundo exterior. Em algum momento de nossas vidas, todos nos levamos um chute na bunda. E doeu. Doeu muito. E daquele dia em diante, decidimos que não iríamos mais sentir dor, mas sim voltar a sentir aquela segurança e felicidade que sentíamos dentro de nossos quartos na infância. Protegidos. Felizes. Isto é triste.
É triste imaginar que precisamos nos entorpecer com mentiras, que nós mesmos criamos, para então criar a coragem de nos embrenhar em um mundo hostil a nossa presença. É triste imaginar que só aceitamos viver se em um constante estado de felicidade eterna. Nada pode nos abater. Ninguém pode nos machucar. Porque dói, e não podemos aceitar a dor. É triste porque é ilusório. Dor é um dos componentes chaves da vida. Sem ela, não podemos chamar nossas patéticas existências de “vida”. No maximo, quem sabe, “brisa”. Digam-me, de que adianta fugir do inevitável? Se, inegavelmente irá sentir dor, então porque fugir e ignorar isso? Porque se afogar em mentiras? Ou mesmo em álcool ou qualquer outra droga? Por favor, considere-a “auto-mentira”, uma droga entorpecente do mais alto calibre. Talvez seja eu, mas não faz sentido na minha cabeça.
Porque inevitável, vocês perguntam? Porque, inevitavelmente, todos vivem a sua vida, com seus sonhos, desejos, necessidades e... bem, suas singularidades. Por mais que nós possamos jogar aos 7 mares que “eu” sempre estarei ao “seu” lado, isso não é verdade. Nunca poderá ser. Não podemos exigir isso dos outros. É injusto com o outro esperar que ele esteja do seu lado em um momento em que ELE claramente precisa se focar na singularidade de SUA vida. Diferentes desejos criam conflitos. Conflitos causam dor, assim como 2+2 é 4. Sempre teremos um muro na nossa frente, chamado “outro”, pronto para desabar sob nossas cabeças.
Voltando a dor: A dor é boa. Ela é amiga. Você sempre pode contar com ela, porque ela dificilmente mente. A nível biológico, o que seria a dor se não um sistema de alerta? De mesmo modo em que algum agente secreto entra em alguma instalação secreta de algum vilão de algum filme genérico de ação, acionando aquele irritante “BEH! BEH! BEH! INTRUSO! INTRUSO! INTRUSO!”, a dor também berra em sua cabeça “Seu dedo foi cortado! Seu dedo foi cortado!”. Não é muito diferente com sua irmã mais subjetiva. “Era tudo mentira! Era tudo mentira! Era tudo mentira!”. Há! E qual é o bom nisso? Respondam-me vocês: Não foi se ralando todo que vocês entenderam o conceito de “limite”? Aonde não pisar? A dor é nossa maior professora. É com ela que entendemos “o mundo exterior”. Precisamos dela para poder enfrentar tudo aquilo que pode nos machucar. É o bom e velho sistema de “tentativa e erro”!
Por isso que o reino do “certo” me irrita! Vocês vêem agora a grande ironia? Com medo de se machucarem, nos protegemos num casulo de mentiras, num grande e pomposo castelo de cristal, e assim, nos afastamos da única coisa que pode nos tornar mais forte para agüentar o tranco do inevitável choque com o mundo. A fraqueza alimenta nossa fraqueza, só porque não conseguimos aceitar um fato: Dor é inevitável. Alias, acho que devo me corrigir aqui. Disse que somente havia UMA certeza na vida, mas estava errado. Podemos contabilizar duas até o momento. Há!
Ok. Sou obrigado a ceder um pouco agora. Esta minha “defesa à dor” agora se mostra igualmente patética a aqueles que fogem dela. Acabei de dizer que quero enfrentá-la para poder enfrentá-la novamente sofrendo menos. No final, não há muito diferença, né? Acho que não... Mas acho que é melhor do que viver no próprio mundinho de ilusões. Posso estar errado. Dane-se.
Se não devemos procurar viver num eterno estado de felicidade, então o que fazer? Sei lá! Cada um com sua resposta. Eu tenho a minha... Se virem pra achar a de vocês. Só me façam um favor: Moderem o uso da certeza. Tenham duvida. Sejam inseguros. Continuem agindo com firmeza.
Gramática
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1 Comentário:
entãoooooooooooooo
"só sei que nada sei"
=]
bjos, samy..
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